quinta-feira, novembro 20, 2003

Eu não bebo para me afundar
bebo para emergir
desde tédio sem janelas
desta náusia do sentir
Quem sou eu?
para não ter mais razões
para chorar contigo
para gozar o pranto
de andar sempre perdido
nas formas curvas do meu pensamento
Fumo um cigarro
paro por um momento
escrevo sem sentido
(mas preciso de escrever)
para não perder
o que vou sendo

terça-feira, novembro 04, 2003

Noite

Perdido, inrrompo pela noite dentro
com a euforia de um marinheiro gingão
bebo um copo a cada esquina
e fumo um passaporte para a visão:
Estou num filme, com sombras e nevoeiro
As pessoas representam seres humanos
As ruas representam ruas
e eu represento-me a mim
tudo é verdadeiro, fácil e afectivo
no outro dia dói-me a cabeça
e não acredito no mundo em que vivo